Por que a Violência Obstétrica está relacionada com a humanização do parto?

Por que a Violência Obstétrica está relacionada com a humanização do parto?

Ultimamente, muito tem se falado a respeito de parto humanizado e de violência obstétrica. Mas, ainda assim, não é um assunto que todas as pessoas tem conhecimento. Então, o que é a violência obstétrica e o que tem a ver com a humanização do parto?

Tudo! Explico. A violência obstétrica é aquela violência praticada por profissional de saúde contra a gestante, parturiente ou puérpera. Exemplos claros de violência obstétrica são os xingamentos e humilhações quando a mulher está em trabalho de parto, a episiotomia (corte feito na musculatura entre o ânus e a vagina da mulher), o uso de soro para acelerar o trabalho de parto, subir e apertar o fundo do útero da mulher para acelerar a expulsão do bebê, dentre várias outras condutas que são inadequadas.

O atendimento humanizado preconiza que a vontade da mulher deve prevalecer sobre a do profissional de saúde em questões como: não querer o uso de soro por rotina, não querer a episiotomia, liberdade de posição durante o trabalho de parto e na hora de parir e, principalmente, quanto à via de parto. O princípio básico da humanização é a informação e o protagonismo da mulher neste momento.

Atualmente, evidências científicas mais recentes tem demonstrado que a assistência médica ao parto baseada no atual modelo tecnocrata (alto uso da tecnologia), onde o médico tem o poder de tudo decidir e à mulher nada cabe, tem causado muitos prejuízos e tem permitido a institucionalização da violência obstétrica, além de institucionalizar um tratamento mecânico e de produção em série.

Se você perguntar para a grande maioria das mulheres que tiveram partos normais se elas gostaram ou não, muitas responderão que não. Mas, observe que elas ressaltarão fatos do atendimento e não do parto em si. A dor que ficou insuportável após o soro, o corte que causou problemas para a cicatrização, os gritos que a mandaram calar a boca, o médico que subiu em cima da barriga para “ajudar” a mulher que não tinha mais força…

A violência obstétrica é assunto novo, mas com condutas antigas e sem fundamento em quaisquer evidências científicas. Se você foi vítima de violência obstétrica, procure um advogado de sua confiança e procure os seus direitos.

Você pode fazer a denúncia de violência obstétrica no Ministério Público Federal e no CRM de seu estado. Entretanto, prepare-se! A batalha será muito árdua!

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