Parto domiciliar: porque ainda é um tabu?

Parto domiciliar: porque ainda é um tabu?

Meu segundo parto foi domiciliar. Planejado, com parteira e hospital perto de casa. Tudo certo. Evitei contar a quase todos sobre os meus planos para evitar estresses desnecessários. Mas sempre ouvia que eu era corajosa de ter parto normal, imagina se contasse que ia ter em casa com parteira!? Enfim, hoje, quando conto (com muito orgulho do meu parto), as pessoas se espantam e ainda perguntam: mas não é perigoso? Aí depende do ponto de vista de quem vê.

Há 50 anos atrás, os partos eram em casa, acompanhados por parteiras da região e, raramente, acontecia algo que necessitasse de uma intervenção médica. Obviamente que, se fosse o caso de uma cesárea de emergência, mulher ou bebê ou ambos poderiam vir a óbito. De 50 anos para cá, o parto, que era um evento familiar, íntimo e acolhedor, tornou-se um evento médico, no qual a mulher e o bebê são duas pessoas que precisam de intervenções. Mas espera! Até então, a humanidade só veio crescendo. Por que então tornou-se o parto algo tão “perigoso”?

A verdade é que a medicina tornou-se uma profissão elitista, na qual os médicos são considerados os conhecedores de tudo e eles aprendem na faculdade que a mulher precisa de intervenção sempre e que ela já não é mais capaz de dar à luz sozinha, sem intervenção alguma, de forma natural.

Tudo foi uma construção social. A verdade é que as mulheres sabem parir e os bebês sabem nascer. A palavra “obstetra” vem do latim “obstare”, que significa ficar ao lado, observar. O obstetra não precisa intervir sempre. Sua função é observar se tudo está correndo bem com mãe e bebê e intervir somente se for necessário.

As parteiras (por serem mulheres) e por terem aprendido a realizar partos na tradição, são muito perspicazes. A minha só observava a minha movimentação. Cada gemido mais forte, cada contração, cada som diferente e ela sabia que eu estava em trabalho de parto ativo. Quase não a vi durante o TP e, a única vez que recebi um toque durante o trabalho de parto, foi antes de entrar na água para a verificação da dilatação, necessária para saber quanto tempo poderia ainda ficar na água. E na água Catarina nasceu!

Ter o seu bebê de modo natural, com todos os hormônios naturais funcionando e dançando tal qual numa música, o corpo se movendo e o bebê se alinhando em plena harmonia, dentro da sua casa, no aconchego do seu lar, na companhia de quem você ama, não tem preço. Muitas mulheres relatam parada de progressão do trabalho de parto quando chegam ao hospital: ambiente hostil, cheio de pessoas que não conhecem, profissionais que a tratam como mais uma, sem sequer atender às suas necessidades e vontades, dentro de um protocolo rígido e antiquado…

A OMS diz que a mulher deve parir no local onde se sentir mais segura. Algumas escolherão o hospital, outras as casas de parto, outras, a floresta e outras a sua casa. O importante é a mulher ser protagonista e ser bem assistida e respeitada. Depois de tudo isso, ainda me perguntam porque parir em casa é melhor? É melhor mil vezes, com planejamento e equipe qualificada para a assistência ao parto!

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